quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Uma quinta-feira qualquer

Faz tempo.
Estive aqui em maio, com minha última carta.
Hoje, início do mês de agosto, volto menos reconfortada do que desejo e mais
sozinha do que mereço. Ou, do que acredito que mereço.
Os dias se passam com rapidez essencial ao manejar imperioso
deste tempo em que vivo às turras com o relógio.
Então, sou um vulto passando, sentada em um dos cavalos do carrossel
gigante. Além disso, não sou nada.
.
Aqui, em minhas cartas, mora a janela em que
consigo me debruçar de dentro da prisão.
São apenas palavras, mas as palavras
são tudo o que realmente tenho
e eu continuo lançando-as como sementes
pelos campos em que corro sem me dar
conta do destino delas.
.
Se eu peco, peco pelo excesso
de sentimento.
Disto, não tenho a menor dúvida.
Vida pequena, esta.
Caminhada que sempre é recente,
mesmo que eu me sinta tão antiga.
O carrossel gigante não pára.
Nem há por que parar.
Tudo se movimenta,
inclusive as palavras que eu lanço.
E voltam, voltam
para mim.
...
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sábado, 19 de maio de 2007

******arte


*Claude Monet*

19 de maio de 2007

Gostaria de pensar em você como sendo meu.
Meu de verdade, sabe?
Daquele jeito que a gente "pode" fazer quando
se tem a vida pela frente e se encontra
o par perfeito, o parceiro ideal...quando se dá
o beijo especial.
No entanto, estou aqui, escrevendo uma carta
para deixar dentro de uma garrafa e jogar mar adentro,
sentindo uma piedade danada de mim mesma,
imaginando se, um dia, você poderá ler as minhas palavras
que vão turvas pelo papel...

Amo você.
Por mim e por tudo o que temos em comum.
Por nossos olhos se encontrando o dia todo
e conversando, arrebatados, em silêncio.
No mundo de nosso olhar, nada pode impedir
um amor tão bonito.

Amo você.
E choro.
Por nós dois.
Por não termos nos visto
nos dias que antecederam nossas
decisões antigas e definitivas.

E escrevo para alcançar
a eternidade.
Lá, seguramente,
estamos abraçados e eu sinto
seu coração bater
em seu peito quente, quente...
e meu...


***

sexta-feira, 13 de abril de 2007

******arte

* óleo sobre tela de Maia Eventov
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Qualquer coisa que eu dissesse agora, seria inútil.
O outono chegou eu eu estou aqui a sentir os cheiros
e a ouvir os sons de uma nova estação
que me traz a sensação de infância.
Continuo escrevendo cartas e continuo questionando
o que há de mais estranho em mim:
a insistente manis que querer,
e sonhar
e ser.

Os dias amanhecem mais tarde
e a noite vem me encontrar mais cedo.
Os ciclos são repetitivos, eu sei, mas eles nos
dão uma segurança ímpar.

Sei que houve um tempo em que as pessoas
acreditavam que nada jamais mudaria,
que as coisas seriam sempre as mesmas,
numa seqüência cinza e branca...
e elas se enganaram, também sei disso.
No entanto, costumo duvidar de grandes mudanças
benfazejas em minha vida.
Talvez duvide porque sou pequena demais
para me agigantar diante de meus receios.
Não sei.
Também isso eu não sei.

Hoje, me parece este o ponto mais forte: não saber.
Acredito que pode ser a chave de mim mesma
o fato de eu nada saber.
Pelo menos, sempre me deu impulso para ir atrás e descobrir.

Ainda escrevo cartas, mesmo nos dias de sol.
Escrevo porque me procuro em minhas palavras.
Escrevo, porque me encontro nas entrelinhas
muito mais do que no espelho.



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sábado, 3 de março de 2007

******arte

desconheço a autoria*

*03.março.2007* tempo de mim*

Por algum tempo, preciso mesmo refletir, talvez não com a mente, porém com meu coração. A alma, o espírito, precisam de minha morada mais tranqüila.
Estou diante de um mundo que me sufoca e, ao mesmo tempo, diverte.
Eu deveria fazer planos, agora, mas não posso tê-los se não me sinto integrada
na vida ao meu redor.
Assustada. Calada.
Triste.
Eu me sinto assim.
Eu me recolho a meu reduto mágico de linhas e entrelinhas,
onde sei que, à espreita, está a aquarela sempre pronta a pintar
sobre o cinza. É como se ela fosse viva. Seus movimentos dançam diante de mim.
Compreendo muito mais os sofredores, agora.
Eles sentem o peso do mundo.
Do mundo que não reconhecem como seu.
...
Compreendo menos os cães, que seguem os humanos com seus olhos
tristes e fiéis.
E sinto em carne viva meu amor, nos dias que se seguem em contrição.
Sou um matiz daquele cinza.
Sou a janela que se alimenta do sol e dos pingos da chuva do fim de tarde.
Logo, chegará o outono.
Talvez tudo seja mais ameno, então.
...
Aglaé*